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A Flor e o Fruto

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Que as forças naturais me levem Em espirais de frutos, flores e perfumes Acima ao alto, flutuando como nuvem Na mente do céu, como sonho de Hermes Frutos que amadurecem nos Ramos Da árvore da vida e do conhecimento O tronco e raízes, seus amos Firmam e aprofundam a cada momento Da terra escura trazem á luz Segredo misterioso que abre em flor  Como sol diurno que ilumina e seduz Da flor nasce o fruto, da mãe seu amor O Amor de mãe e filho, flor e fruto O perfume mais sublime do mundo Dá vida a fantasmas, mortos e defuntos Acende a luz no interior mais profundo

Lágrimas do Céu

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Folhas outonais caídas jazem  De acer vermelho melancólico Como as lágrimas do céu do além Que chora saudoso sobre o pórtico De um templo perdido Ruinosas colunas de um tempo que se perdeu Do tempo presente se tornou foragido  Com os sinais do passado, sente que morreu Mas vive e lacrimeja Tem saudades de Deus E tudo o que almeja É seguir os passos seus Mas o mundo patina É inexorável como o Destino Se mantém caindo a chuva, e a sina Além de qualquer esperança celestina

Sonho Branco

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Passo por dois cães brancos Num edifício de mármore e luz Vejo pessoas de branco, Anjos, santos De uma calma serenidade que seduz Ao lado um riacho que corre A boiar passa uma pega Lhe pego, levanto um Anjo que morre Agarrado a uma máquina cega As máquinas estão a matar Os Anjos, a luz e o mármore A serenidade e a calma de um lugar Perde-se a vida, o rio, a árvore Os animais e os Anjos perdem seu lar Descem à terra e morrem As máquinas estão a matar Como águas que serenamente correm

Alma, Corpo e Espírito

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Em tempos distantes  Tempos que já lá vão  Iam três viajantes Pelas terras de Sião  Em busca pela Verdade Procurando o conhecimento Um sentia saudade Todo o dia, a todo o momento Outro se debatia Com a falta de conforto Mas o terceiro sentia Que desistir, nem morto E aos três arrastava Com a força da sua vontade Que aos três dominava E encaminhava para a Felicidade

A Origem da Tristeza

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Ondulante movimento subidío, descendente Suave como caramelo, seda e mel Sem cristalizar, impávido, mas constante Como eterna corrida de elegante corcel Mas não corre, não anda, desliza... Leve, por invisível impulso Que não questiona, comedía, defende ou dramatiza O porquê e a origem involuntária de seu uso Ainda que perfeito, como a plena beleza Não é seu, mas de externa afecção  Sem a compreender, nem a si com clareza Não é dono da vontade de sua acção  Alienação triste e serena sob hipnose de imagem aparente Imitação do natural, paira pra lá da apreensão Porque a única fealdade ou beleza realmente É aquela que se move, livre...no interior do coração 

A Viagem Espiritual

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Uma ave do paraíso plana No céu azul, lá no alto Puxa um coche com uma cigana Por entre as nuvens, dá a volta Num movimento sublime Faíscas de luz e beleza se soltam Em câmara lenta, como um filme Desliza na harmonia divina O equilíbrio a espiritualiza Pela arte de tal manobra Lhe confere serenidade, a tranquiliza  Á cigana, a sua obra E a ave se redirecciona No caminho do Sol Central  Entra em éxtase, se emociona Soltando uma lágrima espiritual